segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não, sim, talvez, nunca, sempre...

Não, não sou boa,
sou bruta minha alma não foi lapidada.
Não, não interessa,
se algumas palavras voam da boca feito facadas.
Não, não acredito,
desconfio do que vejo, e confio no que sinto.
Não, não concluo,
sou relapsa e me encanto com o novo.
Não, não, não,
sou do contra e sinto prazer em fazer isto.
E meus nãos carregam um sim tão sincero,
sim de sinto, sim de assim, sim de nudez.
Talvez, talvez seja confusa,
mania de quem faz sem pensar e pensa sem fazer.
Sim, meu sorriso é de um lugar escondido,
nem sei como chegar lá, só sei que sai.
Sim, minha raiva transparece,
mora junto com o sorriso, sem endereço.
Sim, meus olhos falam,
gritam alto, nem disfarçam, crianças travessas.
Não, não tenho certeza de nada,
certeza é um território perigoso, tenho medo de ir lá.
Sempre, sempre nem sequer existe
é loucura disfarçada de sonho.
Nunca, nunca é desejo fantasiado,
vontade de explicar o que assusta.
Não, sim, sempre, nunca, talvez,
palavras, pedidos, perdidos, caminhos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Olhar

Passei um tempo sem escrever aqui, precisava olhar mais, deixar a vida fluir, organizar meu ninho.
Agora volto, cheia de alegria, inspirada...
Outro dia caminhei ao anoitecer e senti o vento frio tocar meu corpo, era quase um abraço, sensação de fazer parte e ao mesmo tempo de entrega ao seu sabor, voar sem sair do chão, estava acompanhada e mergulhada num silêncio tão bom.
Olhar o vento, sim eu vi, minha pele via, meu coração também e mesmo as belas luzes da noite paulista, o barulho dos carros e pessoas que circulavam, o manter o caminhar e carregar os pacotes que me acompanhavam, nada impedia a visão, era o vento...lindo, poderoso, prazeroso.
Meus olhos estavam abertos, tinham a função de guia, mostravam o percurso e nada mais, naquele momento só via o vento, o resto era só manter a marcha.
O espelho está colorido, flores amarelas e azuis saltam no tecido vermelho, folhas verdes aqui e acolá, no meio vejo além, meu rosto modificado pelo tempo, ás vezes percebo que cresci, outras que regredi e brinco com meus cabelos esticados, minha pele de vento, meus olhos de cão cativo, danço no ritmo das imagens e enxergo o que não via antes...
Não estou pronta, não queimei a argila da minha alma e posso molhar o barro e modelar novamente!
Percebi que sou meio marron terra, amarelo polén, vermelho sangue, preto noite, branco lua, azul céu, verde folha, é tudo assim muito misturado, tenho cor de aquarela.
Achava que  possuia meu corpo, mas me enganei, sou do vento, bastou ele soprar e me entreguei, mas o vento ele passa tão rápido que nem pude acompanhar.