segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não, sim, talvez, nunca, sempre...

Não, não sou boa,
sou bruta minha alma não foi lapidada.
Não, não interessa,
se algumas palavras voam da boca feito facadas.
Não, não acredito,
desconfio do que vejo, e confio no que sinto.
Não, não concluo,
sou relapsa e me encanto com o novo.
Não, não, não,
sou do contra e sinto prazer em fazer isto.
E meus nãos carregam um sim tão sincero,
sim de sinto, sim de assim, sim de nudez.
Talvez, talvez seja confusa,
mania de quem faz sem pensar e pensa sem fazer.
Sim, meu sorriso é de um lugar escondido,
nem sei como chegar lá, só sei que sai.
Sim, minha raiva transparece,
mora junto com o sorriso, sem endereço.
Sim, meus olhos falam,
gritam alto, nem disfarçam, crianças travessas.
Não, não tenho certeza de nada,
certeza é um território perigoso, tenho medo de ir lá.
Sempre, sempre nem sequer existe
é loucura disfarçada de sonho.
Nunca, nunca é desejo fantasiado,
vontade de explicar o que assusta.
Não, sim, sempre, nunca, talvez,
palavras, pedidos, perdidos, caminhos.

domingo, 18 de setembro de 2011

A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo

"Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.


A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.


Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.


Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores."


O Teatro Mágico

Agora cospe o inseto, não engole que é caca!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Olhar

Passei um tempo sem escrever aqui, precisava olhar mais, deixar a vida fluir, organizar meu ninho.
Agora volto, cheia de alegria, inspirada...
Outro dia caminhei ao anoitecer e senti o vento frio tocar meu corpo, era quase um abraço, sensação de fazer parte e ao mesmo tempo de entrega ao seu sabor, voar sem sair do chão, estava acompanhada e mergulhada num silêncio tão bom.
Olhar o vento, sim eu vi, minha pele via, meu coração também e mesmo as belas luzes da noite paulista, o barulho dos carros e pessoas que circulavam, o manter o caminhar e carregar os pacotes que me acompanhavam, nada impedia a visão, era o vento...lindo, poderoso, prazeroso.
Meus olhos estavam abertos, tinham a função de guia, mostravam o percurso e nada mais, naquele momento só via o vento, o resto era só manter a marcha.
O espelho está colorido, flores amarelas e azuis saltam no tecido vermelho, folhas verdes aqui e acolá, no meio vejo além, meu rosto modificado pelo tempo, ás vezes percebo que cresci, outras que regredi e brinco com meus cabelos esticados, minha pele de vento, meus olhos de cão cativo, danço no ritmo das imagens e enxergo o que não via antes...
Não estou pronta, não queimei a argila da minha alma e posso molhar o barro e modelar novamente!
Percebi que sou meio marron terra, amarelo polén, vermelho sangue, preto noite, branco lua, azul céu, verde folha, é tudo assim muito misturado, tenho cor de aquarela.
Achava que  possuia meu corpo, mas me enganei, sou do vento, bastou ele soprar e me entreguei, mas o vento ele passa tão rápido que nem pude acompanhar.

II - O Meu Olhar
"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Alberto Caeiro

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Fotos bonitas que encontrei na rede



Tanquinho, dar uma olhadinha e um aperto de mão, podem ter muitos significados.
E olhar, isso todos podem...