quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

JOAN BAEZ ~ Guantanamera ~

Tiquira

"Estimula o apetite, fecha o corpo e alegra o espírito".
Bebida forte, Maranhense, feita da mandioca é considerada a unica pinga genuinamente brasileira, já que a da cana-de-açúcar foi inventada aqui mas a cana tem origem africana, segundo o senso comum não se deve tomar tiquira e molhar o corpo, principalmente os pés.
É aconselhável tomar só uma dose, acreditem ela realmente derruba...também deve-se avisar aos companheiros de copo que não é bom dar banho em quem abusou da bebida lilás...
E por fim, a ressaca é poderosa no dia seguinte!



sábado, 25 de dezembro de 2010

Universo Poderoso

E na noite de Natal já ia dormir, triste, digerindo acontecimentos, mas o poderoso universo conspira a favor de pessoas legais, uma hora tem que parar de escorrer tudo pelo ralo.
Encontrei anjos sem asas, mas com palavras alegres que me ajudaram muito, o amor se manisfesta de forma tão clara, basta importar-se.
Nesta postagem agradeço a amizade, os abraços fortes, a disposição para ajudar, o papo leve, a presença de algumas pessoas na minha vida. Anos de amizade se justificam nestes momentos, e mesmo nas noites de conversas intermináveis com risadas frenéticas. Beth e Beta, quase uma multidão desorganizada numa dupla...e ganhamos mais um integrante, prevejo mudanças no clube da Luluzinha!!!
Fiquei uns dias meio morna, atordoada, mas como sempre estou de volta.
Obrigado Universo poderoso, respostas surgem quando menos se espera, sentimentos nascem e morrem assim numa fração de segundos, e amizades verdadeiras perduram toda uma existência.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pessoas raras

Algumas pessoas sei lá por qual motivo já nascem com uma missão, passam toda sua existência semeando, doando um pouco de vida para quem as cercam.
São seres de olhos vibrantes, sorriso largo de uma persistência absurda, capazes de construir abrigos com as pedras que encontram pelo caminho, com personalidade forte e são tão grandes que não se importam em destribuir o que conquistam para quem precisar.
Pessoas assim são queridas pelo modo que são, não necessitam de posses, títulos ou apadrinhamentos. Simplesmente são e pronto.
Talvez esta seja a minha postagem mais carregada de tristeza, não é fácil ver alguém assim partir, ser arrancado da vida sem nenhum aviso, sem opção de despedidas ou declarações.
Aprendi que sofrimento sempre vem acompanhado de ensinamento... Podem existir vários percursos, diferentes justificativas para escolher os caminhos, mas o destino final será o mesmo para todos, a diferença é se chegaremos com bagagem ou vazios.
Voe em paz pessoa rara, vá até o infinito e encontre-se com tantos outros que já partiram antes de ti, leve sua bagagem, deixe aqui o que não precisar mais. Rezaremos por ti.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Filosofando

A vida é muito doida, quando pensamos ter certeza tudo remolda-se e recriam-se cenários inesperados.


Quando duvidamos, questionamos tanto que acabamos conhecendo melhor o que a princípio parecia ser irreal.

Conclusões da noite...

Fatos são meras conclusões baseadas na percepção de cada um,  idéias que nascem e morrem a cada segundo nas mentes humanas sem nenhum pudor.

Verdade é um jeito de garantir a sanidade de quem acredita nela, inventam-se verdades no meio de tantas percepções alteradas.

O que realmente existe são as idéias, as projeções, a realidade não passa de um emaranhado de informações internalizadas, digeridas e transformadas.

Passado é só o que queremos lembrar, presente o que achamos que fazemos, e futuro é um monte de nada transformado em sonho pra ficar menos incerto.

Previsões astrológicas para os arianos em 2011

Fonte: http://entretenimento.br.msn.com/astrologia/artigo.aspx?cp-documentid=26840251&page=2

ÁRIES
"Para as pessoas nascidas no primeiro decanato de Áries (aproximadamente de 21 a 30 de março) 2011 é um ano extremamente especial, poderoso e inusitado. É praticamente impossível planejar as coisas com absoluto controle, pois haverá muito espaço para o novo e para surpresas. Urano entra em Áries, sugerindo grande impulso para realizar mudanças extremamente radicais. Algumas destas mudanças poderão ser bastante assustadoras, mas a palavra-chave aqui é "liberdade". Liberdade em relação a tudo o que estava gasto e superado. Coragem para mudar é a grande prerrogativa dos arianos do primeiro decanato, no ano de 2011, ainda mais se considerarmos que Plutão forma ângulo de quadratura com o Sol de quem nasceu no primeiro decanato deste signo. A soma dos trânsitos de Urano e de Plutão garante um 2011 cheio de mudanças extremamente radicais (algumas até mesmo difíceis) para quem é de Áries do primeiro decanato. Para os arianos em geral, independentemente do decanato, 2011 também é marcado pelo trânsito do planeta Júpiter pelo primeiro signo do Zodíaco, entre os meses de janeiro e maio. O trânsito de Júpiter possibilita a ultrapassagem dos limites apertados, a abertura de portas para novas - e bem-vindas - oportunidades. A antiga vida se revela por demais apertada e estreita, de modo que Júpiter expande as perspectivas, como quem diz "veja, você pode mais!". E, acredite, pode mesmo! Os arianos do segundo decanato (nascidos aproximadamente entre 31 de março e 9 de abril, com variação de um dia de ano para ano), os primeiros nove meses de 2011 são marcados pela necessidade de economizar a própria energia vital. A oposição de Saturno ainda impera, sugerindo a necessidade de realizar maiores esforços, assim como a importância de poupar vitalidade, caso contrário o indivíduo poderá se sentir exaurido, sobrecarregado. De todo modo, Áries é o signo mais afetado por trânsitos ao longo do ano de 2011."

Depois de ler tudo isso fiquei até arrepiada, sem saber já previa um furacão na minha vida, e se depender de mim, voarei até a estrada de tijolos amarelos em busca do meu aco-íris.


Música que diz em canção o que meu coração não sabe dizer...

As Palavras




"As palavras saem quase sem querer,



Rezam por nós dois.


Tome conta do que vai dizer.


Elas estão dentro dos meus olhos


Da minha boca, dos meus ombros


Se quiser ouvir


É fácil perceber






Não me acerte


Não me cerque


Me dê absolvição


Faça luz onde há involução


Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal


Reabilite o meu coração






Tentei


Rasguei sua alma e pus no fogo


Não assoprei


Não relutei


Os buracos que eu cavei


Não quis rever


Mas o amargo delas resvalou em mim


Não me deu direito de viver em paz


Estou aqui para te pedir perdão






Não me acerte


Não me cerque


Me dê absolvição


Faça luz onde há involução


Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal


Reabilite o meu coração






As palavras fogem


Se você deixar


O impacto é grande demais


Cidades inteiras nascem a partir daí


Violentam, enlouquecem ou me fazem dormir


Adoecem, curam ou me dão limites


Vá com carinho no que vai dizer






Não me acerte


Não me cerque


Me dê absolvição


Faça luz onde há involução


Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal


Reabilite o meu coração"Vanessa da Mata



Composição: Sereia de Água Doce (Vanessa da Mata)





As palavras não são minhas, os sentimentos são, o encontro das idéias também.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Repassando email engraçado, trágico e cômico...

Pérolas do ENEM

"Chegaram as tão esperadas pérolas anuais!!! DIVIRTAM-SE.

'O sero mano tem uma missão...'
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)

'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas. .'
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)

'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)

'A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'
(E além de tudo, viajam pra caramba, hein?)

Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.'
(Faz sentido)

'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes'
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)

'É um problema de muita gravidez.'
(Com certeza...se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)

'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'
(Sem comentário)

'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia'
(Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá)
'A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando'
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)

'O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos.'
(Não conte comigo)

'Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil'
(Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras)

.... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas. '
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)

'Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.'
(Meu Deus..... Haja pára-raio!)

'Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.'
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple? IBM?)

'Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira..'
(Caraca! Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito 'Ordem e Progresso'..)

'.... são formados pelas bacias esferográficas. '
(Imaginem as bacias da BIC.)

'Eu concordo em gênero e número igual.'
(Eu discordo!)

'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio...'
(Putz, que droga é essa?)
'O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.
(Esse deve ter tomado uma na veia)

'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'
(Que maravilha!)

'As chuvas foram fortes, mas não tivemos danos morais'
(só irracionais, verbais, e outros materiais) "

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Reclamando da Eletropaulo

Sai de casa e deixei tudo funcionando, meu fim de semana estava reservado pra ser uma boa dona de casa, fazer supermercado, lavar roupa, limpar a casa, fazer visitas em chás de panela e de bebê...
Mas cheguei em casa e nada da geladeira funcionar, depois os dois chuveiros, estou até com medo de tentar ligar minha máquina de lavar...
Minha instalação elétrica é boa, não tem gambiarras, tudo distribuido com disjuntores individuais para eletromésticos que consomem muita energia, agora me pergunto...Que mérda aconteceu pra queimar tanta coisa???
Fora o fato de não ter marido para passar o problema, onde vou achar um eletricista nessa época do ano? Meu dia estava tão bom...
No momento o que posso fazer é reclamar, então vou aproveitar todos os canais possíveis, e se alguém souber uma forma de ser ressarcida, ou conhecer um eletricista disponível me avise, aceito ajuda.
Pagamos caro pelo serviço de distribuição elétrica, e se não pagarmos eles cortam o fornecimento, lembrando que não choveu pra haver uma desculpa, foi simplesmente falta de competência.
Que raiva...

Dicas pra se divertir em Sampa

No Centro Cultural São Paulo:

dia 18/12 - sábado


19h Mariana Aydar
Considerada uma das melhores intérpretes da nova geração, a cantora mostra repertório do disco Peixes Pássaros Pessoas.


Entrada franca (retirada de ingressos: a partir do dia 14/12, das 14h às 20h) - Sala Adoniran Barbosa (631 lugares)



dia 19/12 - domingo
18h Mallu Magalhães
Com influências de Bob Dylan e Johnny Cash a jovem cantora e compositora mostra canções de seus dois álbuns.



Entrada franca (retirada de ingressos: a partir do dia 14/12, das 14h às 20h) - Sala Adoniran Barbosa (631 lugares)


Endereço:
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso
Acesso pela estação Vergueiro do Metrô-Linha Azul

Poesia cantada

Adoro música e isso não é segredo pra quem me conheçe pelo menos um pouquinho, recentemente comprei o novo cd da Vanessa da Mata, "Bicicletas, Bolos e outras alegrias", ele está maravilhoso, cheio de canções bem elaboradas, algumas divertidas e outras com aquele toque de sensibilidade que contam histórias de tantos corações, sejam eles partidos ou cheios de sentir.

Vanessa da Mata: webclipe "As Palavras"

Vanessa da Mata: webclipe "Vá"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

...é SÓ medo, solidão assistida.

Imagens dançam e nada se vê.
E querer assusta tanto, ventania.
Medo cego de quem não sabe, não entende.
Olhos que me fitam e desconcertam...
Olhos meus que não vêem, trancam-se abertos.
Por não saber quem sou, desconfio.
Por imaginar quem és, protejo-te de mim.
Seriam meras palavras se estas não fossem tão poderosas.
Começo e fim, numa dança sem música.
E tola tenho medo do amor,
e prudente tenho medo de amar.
Acuada corro pelas ruas, escondida na multidão.
Apresso o passo, veloz, sem rumo.
Fujo, vou  ao encontro do que me prende,
pensamento que consome.
Folha seca caída na areia pisoteada,
esquecida pelo orvalho, arde em brasa,
aguarda a probabilidade de ser pó.
Busco o sofrer, auto flagelo para não ser.
Começo e fim numa dança sem ritmo.
Dolorida tenho medo de sonhar,
desconfiada acordo sem dormir.
Idéias  encontram-se, corpos afastam-se,
fala e silêncio, diálogo mudo...
Grito mudo, mudo, mudo, mudo.

Tom Zé e Jarbas Mariz cantam Augusta, Angelica e Consolaçao

sábado, 11 de dezembro de 2010

Maria Rita - Conta Outra

Natal

Sei que Papai Noel não existe de verdade, é só um sentimento, uma vontade de acreditar, um faz de conta gostoso que criança aprecia e adulto esquece.
Todo vermelho e dourado espalhado nas vitrines, os chamados de compre, compre...mas vejo cores e uma fantasia tão doce, com gosto de panetonne. Adoro Natal, nem ligo para um monte de gente chata que só sabe criticar e não se encanta com nada, reclama do consumismo, mas consome idéias, reclama da proximidade das pessoas se confreternizando nesta época do ano, mas prefiro assim, é melhor ter um período de trégua das batalhas do cotidiano. As ceias na minha família nunca foram glamurosas, eram bem simples, panetonne, frutas, uma carne assada, comida caseira e um espumante que era dividido entre meus pais enquanto eles podiam beber, e era só nesse dia que bebiam, então minha mãe ficava com riso solto e sonolenta e meu pai deixava de ser bravo pra ficar engraçado. Essa era a melhor parte da festa, todos meio crianças, diferentes.
Nunca ganhei brinquedos caros, éramos uma família de quatro pessoas dividindo a mesa e a alegria, por isto Natal sempre foi época de rir, de comer bem, e de ficar acordada até bem tarde.
Assim que cresci um pouco, comecei a fazer a ceia, tinha uns treze anos quando me arrisquei pela primeira vez, e de lá pra cá virou tradição, vou sempre pra cozinha, trabalho duro no fogão, invento receitas, faço enfeites e me reúno com quem me ama, pois sabem o quanto me alegra celebrar este ritual familiar.
Minha filha deixou de acreditar no Papai Noel cedo, deve ser culpa minha, ele nunca trazia os presentes certos e sou péssima na arte de disfarçar.
Se fosse pra pedir algo, queria ter minha família reunida novamente, ver minha filha sorrindo, abrir minhas portas para amigos e vizinhos que queiram entrar e dormir de barriga cheia.
Quando paro pra pensar no que realmente importa, percebo que já tenho a maioria das coisas necessárias pra ser feliz, só me esqueço disso quando invento fantasias pra brincar de palhaça e ser enganada pelos outros.
Mas no Natal nada disso importa, tenho ótimas lembranças e vou construir muitos cenários pra essa celebração familiar de amor.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Exposição Água na OCA - Parque Ibirapuera

    O Parque Ibirapuera está cheio de opções de diversão, fora a beleza do lugar que reúne acessibilidade com tranquilidade estão abertas exposições ótimas, o MAM é gratuito e sempre tem novidades, a árvore de Natal  linda com toda nostalgia da época, perfeito para apreciar ao entardecer.
    Está aberta a Exposição Água na OCA, maravilhosa, cheia de obras interativas e com um visual de lavar a alma. Tive a felicidade de visitá-la no domingo dia 28 e não pagar nada, todo último domingo do mês a entrada é gratuita.
    Diversão para qualquer idade! A exposição estará em cartaz até 8 de maio, então é só se programar e aproveitar.
Algumas fotos da visita:
Boa diversão!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Literatura a luxúria feminina.

A solidão me reserva muito tempo para pensar, e seria hipocrisia levantar a bandeira da mocinha pura que só pensa em trabalho e no princípe encantado,rsrs.
No auge do meu ócio comecei a imaginar como a vida seria se me deparasse com uma das mulheres eternizadas na literatura mundial, ou melhor como seria brincar dentro do personagem!?!
Escrever e ler são ocupações que me consomem, é quase um exercício antropofágico de me comer e vomitar modificada. Parece meio maluco, mas é prazerozo, penso em tudo que não tenho coragem de fazer, invento um mundo paralelo e pronto, visto a pele das personagens que tanto me fascinam e viajo.
Desde criança passava horas lendo, queria ser a Wendy da história do Petter Pan, depois Joana D'Arc com sua coragem e audácia, na adolescência quis ser Pagú com toda sua controvérsia e a capacidade de romper padrões, depois vieram os sonhos de Lolita, a sabedoria de Sofia, a inconstância de Joana e seu coração selvagem, e muitas habitaram meu cérebro, incentivaram meu coração a ser por instantes mais vivo...
A realidade muitas vezes é feia, cheia de mentiras, frases perdidas sem enredo decente com um fim meia boca, além de faltar sentimentos avassaladores como os descritos nos romances que encantam tanto a alma feminina.
Depois de me descobrir mulher, aprendi a sentir menos...Tudo menos, encanta menos, dói menos, fala-se menos, e nessa de diminuir pra ter controle vai ficando meio morno, borrado. Preciso ser salva urgentemente, alguma personagem precisa me resgatar do poço do medo "de quebrar a cara"!
Quero uma personagem que seja tímida quando necessário, que rubre o rosto diante do incontrolável, que  derreta-se nos braços do seu amado, e seja musa para este e mesmo assim tão mulherzinha carregue na sua vida a capacidade de transformar, construir algo de concreto e valoroso para os que a cercam, não precisa ser linda, basta ser única. Se alguém conhecer uma história parecida me avise, devoro rápido e aprecio sem moderação.

sábado, 27 de novembro de 2010

São Paulo, terreiro da diversidade.

Apesar de ser conhecida como a cidade do concreto, vejo nestas avenidas mais do que cimento, vejo pessoas, histórias que se encontram e caminham num ritmo apressado pra dar conta de tanta coisa pra viver.
Conheço pouco da minha cidade, tomo a liberdade de chamá-la de minha pois a amo e sou parte viva dela. São tantas ruas, parques, avenidas, bares, restaurantes, lojas, bibliotecas, cinemas, teatros, pessoas com rostos tão variados, beleza mista, multicultural.
Lugar de gente, de sementes do futuro, mesmo que este seja só uma idéia.
E aqui come-se de tudo um pouco, dançamos frenéticamente nas baladas que não param nem durante a semana, mesmo que muitos ainda durmam pra acordar cedo e ir trabalhar, ouvimos poesia sem pressa, vencendo o cansaço e acalentando a alma.
Vivemos tantas estações num dia só, manhãs frias com neblina, dias quentes com mormaço e depois vem as noites frias pra fechar a porta do quarto e se esquentar como puder. Quantas garoas, chuvas que trazem enchentes deixando claro que falta sim um pouco de mato e terra nua.
Adoro essa cidade, suas luzes ao anoitecer, a variedade de sons, buzinas, sons nos carros, televisores nas salas, papos animados nos barzinhos e calçadas. Sessões de cinema, espetáculos de teatro, shows de ritmos tão variados.
Famílias espalhadas, divididas em regiões, mas unidas nas tardes de domingo, nos churrascos das lajes, macarronadas nas casas das tias, lanches nas casas das avós.
Cidade dos Parques Ibirapuera, Guarapiranga, Zoológico, Água Branca, Trianon, e tantos outros...
Dos cinemas com pipocas, e primeiros encontros, reencontros e despedidas.
No cinza do concreto vejo cores que só as pessoas podem produzir.
No céu coberto de poluição, vejo luzes que mesmo artificiais possuem seu encanto, brilhando ao lado da lua que calma tudo observa. Nativos, estrangeiros, migrantes e imigrantes, partilham do teu solo e comungam da sua correria na dança da eterna colheita.
São Paulo, minha terrra que amo, posso ir mas sempre volto.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Divulgando: Evento na Biblioteca Belmonte, Sto Amaro. SP

No dia 27 de Novembro:

A Feira de Caruaru em Santo Amaro


Representação da Feira de Caruaru no estacionamento da Biblioteca. Em uma área de 150 metros, os três segmentos que tornaram a feira famosa estarão representados: A feira de Artesanato, da Sulanca e a feira Livre. Assim, artes manuais com peças acabadas ou sendo produzidas pelas mãos de artesãos, raízes, ervas, troca-troca de cordéis, comidas tí­picas estarão expostas na instigante feira. Serão gente e coisas espalhadas na feira envoltas por um notável banho de sons, cores, burburinhos e entusiasmo! Tudo isto invocado e incentivado pelas apresentações tí­picas da Feira de Caruaru.

Dia 27 de novembro a partir das 10h
•10h - Abertura da Feira

•11h - Apresentação de Sabino Lopes e seu filho com música nordestina, Paula Dundee e outras atrações

•12h - Apresentação dos repentistas Adão Fernandes e João Dotô que, desafiados pelo público, defendem-se em rimas, ritmos e improvisos e de Escurinho do Acordeon e seu povo, trazendo o forró pé de serra.

•13h – Caravana do Cordel, declamação dos Cordéis pelos seus autores, contação de causos e música

•15h - Grupo Arrastão do Beco apresenta Maracatu – Coordenação Mônica Santos

•16h – Sarau Sertanejo com várias duplas, trios e solos, coordenados por Alcione Kosmos e apresentados por Guarani

Segue o link do blog da Biblioteca:
http://www.bibliotecabelmonte.blogspot.com/
 
Divirtam-se!!!
Bjs

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Etta James - At Last

Calor e chuva pra dormir

Hoje foi uma dia daqueles, quente e agitado. Cheio de compromissos pela manhã, trabalho e fim de tarde com sol brilhando. Mas engraçado...fazia tempo que não me sentia tão animada, como se do nada um peso fosse retirado das minhas mãos. Ouvi música alta, dancei até suar, lavei minhas cortinas, tapetes, roupas de cama, deixei a água me refrescar, prazer de quem gosta de cuidar do próprio lar. Tão simples, tão bom! Reencontro com meu eu verdadeiro, sem maquiagem, frescura ou receio, um amar-se em gestos que são significativos só pra mim, e talvez por isto sejam tão bons.
Ouvi Clara Nunes, Gilberto Gil, Chico Buarque, Etta James, Louis Armstrong, Ella  Fitzgerald, Cesária Évora, Zeca Baleiro e meus ouvidos ainda  vibram as doces notas que me envolvem, mas uma canção dentre tantas inacreditáveis, pode ser considerada a trilha sonora do dia...
At Last - Etta James
Dormirei ao som da chuva que cai insistente, rememorando a canção, comemorando ser minha, só minha a simples razão de continuar a existir como mulher, forte e viva. Feliz por ser quem sou, sentir como sinto, viver como vivo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Luiza Possi - Eu Espero - Programa do Jô (2010)

Inominável

Olhava para dentro e via as asas negras
ora pousadas, ora voando, multiplicavam-se.
Beleza intocada, violada agora com meu olhar de alma leve.
Tocava suas asas e voava junto, sem rumo, era só liberdade.
Nuvens densas se abriam, céu azul e vento.
E durante o voo retornei ao passado,
me vi criança tomando leite, cheirando a flor, tocando a terra.
Comi das palavras, mastiguei, misturei seus sons.
Ecoavam palavras novas, um dialéto inconsciente, gritava...
Sonora, sentia a plenitude de entregar-se ao não ser.
Nadei num céu de sangue, percorri o fluxo no corpo,
cada movimento cadenciado pelo bombear do coração.
Tão pleno, cada célula ligada a outra numa explosão de prazer.
E o vermelho que queimava tornou-se lilás, completo.
Tanta paz, que não cabia mais controlar nenhum sentir,
era hora de entregar-se, dei-me de asas abertas afagadas pelo vento.
Era dia, sim me lembro, mas as estrelas estavam lá e corriam,
saltitavam alegres deixando rastros de luzes corolridas,
ondas elétricas, ardiam, transpassavam a pele.
Percepção sensorial desconhecida, única!
Um quase perder os sentidos, descobrindo outros adormecidos.
Asas batiam ao meu lado, ouvia o ritmo dos corações.
O afago do vento, criança travessa que insiste em ficar,
cantava, melodia de assovios, sonoro carinho.
O corpo vibrava, pulsação, contração e enfim relaxamento total.
Adormeci por instantes, silêncio...paz!
Mariposas num céu de sangue violando o azul sem fim.
E vi o desconhecido para conhecer-me.
Não sabia te dar nome, devorei as palavras.
Não sabia descrever-te, bastava me entregar.
Mas íntima de teu e meu sentir, chamo-te de inominável,
aguardo o reencontro, escuto seu chamado no vento.
Inominável....

domingo, 24 de outubro de 2010

Opiniões, política e brasileiros

Ainda me escandalizo com algumas coisas no cenário da política brasileira, impossível não ficar p... da vida vendo o presidente atuando de forma tão inescrupulosa, incitando a violência, abandonando seu posto pra virar cabo eleitoral, que democracia mundana é esta que temos? A disputa presidencial virou uma discussão de lavadeiras, e que me perdoem as mesmas mas me faltam palavras pra descrever tanta baixaria. Cada um expõe as sujeiras do outro e fazem da mediocridade a bandeira pra angariar votos num país mal informado.
O Serra foi pego na própria armadilha, tentando sujar a barra do Aécio Neves que diga de passagem é do seu partido, segundo denúncias pagou para levantar informações sigilosas e agora elas são escancaradas pela oposição após a venda destas "preciosidades", além de usar seu tempo pra escancarar a falta de ética da administração petista, mas me pergunto...eles fizeram parte da sacanagem tabém ajudando a aprovar medidas nada populares e se calando diante das privatizações que tanto criticam.
Já o PT... passaram de partido de oposição para representantes do mais puro Neoliberalismo, rechearam sua história com escandalos de dólares na cueca, alegações de desinformação e medidas populistas para comprar a nação com esmolas e campanhas publicitárias enganosas floreando a desgraça nacional.
Na campanha todos fazem da educação uma bandeira de argumentação por um país melhor, mas é só sentar na cadeirinha do poder e começar a cortar gastos e sucatear o ensino brasileiro.
Toda essa discussão sobre o Tiririca me irrita, ele é fruto de um país que abandona a maior parte da população a sua própria sorte sem acesso á educação, analfabetos são obrigados a votar e não podem se candidatar. Toda discussão sobre o assunto só ressalta a discriminação, e confirma minha certeza de que conhecimento é poder, e poder corrompe, quem tem mata pra não perder.
Debates sobre o aborto, posições religiosas só servem pra mascarar a falta de opção para votar.
Me pergunto o que leva a população brasileira a sucumbir ao coronealismo do PSDB e PT, dois partidos tão parecidos que poderiam se unificar e diminuir a palhaçada nos noticiários, são frutos da mesma filosofia política e ficam enfeitando a verdade pra enganar os eleitores desprevenidos.
O preço do feijão sobe e de diversos alimentos considerados básicos, cada vez mais o cultivo da cana invade a agricultura de alimentos fundamentais, mulheres são assassinadas por seus parceiros, crianças expostas a pedofilia, idosos vivem mais e sofrem mais com doenças,aposentadoria vergonhosa e  falta de assistência médica, famílias passam fome ou sobrevivem com um salário de fome, jovens se alienam com a mídia, fabricam-se analfabetos funcionais, estrangulam a cultura brasileira com o estrangeirismo justificado pela globalização...
Perguntas que ninguém responde continuam longe das manchetes dos jornais, é a era da padronização do pensamento, uma dose de conformismo por dia, pão velho e circo!
Ser gente torna-se cada vez mais utópico! Caminhamos para o caos das relações humanas, do clima, e talvez dos pensamentos.
O que o presente nos reserva? Haverão comemorações nas apurações do dia 31 de outubro? Quando será o grande surto?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Insônia

No auge da minha agitação, me falta serenidade para dormir, o corpo apresenta os sinais do cansaço, minha cabeça ferve e nada se encaixa.
Tantas perguntas, respostas desencontradas, pensamentos nocivos, memórias doloridas e buscas que não consigo controlar. Reli minhas postagens e fico perplexa com minha inconstância de pensamentos e sentimentos...Admiro pessoas centradas, mas não sou assim.
Raul Seixas fica cantarolando Metamorfose Ambulante dentro da minha cabeça, será que ele também ficava sem dormir por não saber controlar a intensidade do seu pensar?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Saberes

Tantos passos, caminhos e descaminhos... Saberia escrever sobre cada um, mas me foge a sabedoria de entender tanta coisa. Sou pequena diante de tanta informação, e por mais que me esforce ainda me confundo com o que deveria estar claro.


Algumas nuvens são assim, densas que chegam a impedir a passagem limpa da luz solar, e o vento acaba tomando conta, por mais que se saiba que o sol está lá, a sensação de frio é muito mais forte do que a razão.


São ondas de sensações tão perturbadoras que desequilibram tudo em volta, fazem crenças serem substituídas pelo desejo do risco, tantos sabores que fica difícil distinguir o que é real do que se deseja tanto.


Tenho dificuldade para absorver informações desencontradas, acredito em fatos, ações que expressam sentimentos, naturalidade conta mais que premeditação. Quando existe um planejamento prévio sua diretriz é a razão, e ela não é tão encantadora assim, emoções são mais sedutoras.


Em alguns sonhos me imagino flutuando num céu de azul sem fim, tomada pela cor, com roupas esvoaçantes e olhos perdidos no tempo, corpo quente, roupas frescas, sons da natureza, misturando água mansa seguindo seu rumo, folhas dançando uma valsa alegre e harmônica, pássaros sussurrando baixinho um canto de versos simples, mas incrivelmente belos. Queria transportar esta sensação de calmaria para minha cabeça, deixar lá guardadinha para me confortar cada vez que lembrar as decepções que já vivi.


Era tão fácil quando a falta de informação me propiciava ser leve, bastava arriscar e pronto, sem culpas, sem medos. Saber é um fardo difícil de carregar, e ainda não sou habilidosa pra mentir, não sou boa na arte de encenar.


A vida poderia ser um grande baile com chapelaria na porta onde cada um escolheria o que gostaria de deixar guardado enquanto dança para ficar de mãos limpas, perder a noção do tempo sem remorsos.


Com o passar do tempo venho descobrindo o quanto sou ignorante, quanto mais descubro vejo que vai me faltando habilidade pra digerir tanta informação, me sinto ingênua um tanto crua diante de tantos emaranhados de ações e palavras.

É tanto sentimento que ás vezes dá medo de estar inventando realidades paralelas onde só minha idéias são reais.

domingo, 3 de outubro de 2010

Borboletas

    Asas que batem silênciosas, coloridas e vivas, corpo delicado e pequeno. Olho as borboletas e penso...Que caminhos seguistes até chegar aqui? Sua vida de lagarta foi suficiente pra te dar tanta beleza? Sabes o tempo que lhe resta? Desconfias do encantamento que causa? Como seria a natureza sem estas pequenas fadas, intensas e finitas? És mesmo mensageira, capaz de anunciar revelações de segredos? O que embala esta dança que encanta os olhos e espalha fertilidade?
    Instantes, são necessários poucos segundos pra se encantar, e ela parte, deixando a sensação de leveza e o polén misturado anunciando novas sementes. Que simbólica esta existência, talvez por isto seja tão breve a sua passagem, plenitude não pode durar pra sempre, perde o sentido, passa a ser comum.
    Passo a vida como lagarta, trabalho diário, busca insessante por uma metamorfose que ainda não sei despertar, me falta talento pra permanecer pulpa, quieta e adormecida. Devoro folhas na vida com uma fome que não sei como nasce e nem mesmo quando cessará.
    Como assumir que é mais fácil ser lagarta? Justificaria pelo medo de partir, pela dúvida do novo, mas no fundo compreendo que é seguro dentro da casca, a essência da lagarta e da borboleta é a mesma, o que muda é a forma de agir.
    Momentos felizes existem como as borboletas, devem apenas ser vividos, breves e marcantes, entrar na alma e expandir até não caber mais no corpo, transbordar no universo, abrir as asas e derramar beleza em volta, sem pensar no tempo. Tudo é tão breve que cada segundo de exitação pode valer voltar pra pulpa e ficar sem descobrir até onde os sentidos podem ir.

    A vida é como um rio que segue seu curso, caminha para o mar, horas na seca ou na cheia, podem haver curvas, difentes terrenos de solo inóspitos ou férteis, mas no fim tudo vira uma coisa só, é preiso dançar nas ondas para descobrir o porquê do caminho.

    Tento viver o hoje, numa ansia de saber voar, mas me falta calma pra ser tão leve, são breves os instantes de bater asas, de seguir o curso da vida sem receio. Só me resta a certeza da finitude dos momentos, do descontrole do sentir, e da existência do destino. Não adianta adiar, um dia o rio se tornará mar e dançará nas ondas.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pétalas

Galhos torcidos balançam ao vento
dançam, se tocam, entrelaçam.
Noites e dias passam, é o tempo.
Deixam a mostra suas folhas
e até mesmo os espinhos.
Botões acenam singelos
espalham-se, seguem a luz.
Eis que chega a hora de desabrochar,
tanto encantamento, cores, odores.
Gotas de orvalho refrescam, evaporam.
Há tanta beleza,cativa,
agregam olhares, desejos e buscas.
Não basta apreciar...
Cortam-lhe a vida,
Guardam belos e mortos botões.
E pétalas sem vida caem aos poucos.
Algumas acabam presas em livros,
guardando o segredo dos momentos.
Outras voltam para terra,
esperando renascer.
Pétalas que forram os pés
de tantas musas, amadas.
Cobrem a dor da despedida,
ritualizam o amor.
Deixam de ser vida, para dizerem caladas o que as palavras não falam mais.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Colcha de retalhos

Já tentou imaginar quanto tempo se leva para costurar uma colcha de retalhos, como são escolhidos cada quadradinho, a organização do tempo, a dedicação, e no final o que todos veem é se ela é quentinha ou não.
Aprendi a observar o processo das coisas, olhar de professora de Ed. Infantil, que se encanta com avanços cotidianos, percebe no comportamento o progresso do outro.
Não tive disciplina para fazer uma colcha de retalhos, parei no começo e me arrependo, podia ter enfrentado minha ansiedade e ter ampliado a paciência. Mas aprendi que o processo das coisas, da vida, conta muito mais do que o resultado final, são nas pequenas ações espontâneas que moram os mais nobres sentimentos.
Cada quadradinho da colcha deve ter uma história para contar, um caminho percorrido, mas o fato de serem costurados uns aos outros os transformam em algo maior, viram grupo, comunicam-se nas cores e estampas.
Sinto-me como um retalho já costurado numa colcha inacabada, faltam tantos quadradinhos para terminar e fico só aguardando alguém com paciência para costurar-me aos outros tecidos e suas histórias.
Entre os retalhos não existem padrões, são apenas parte de um todo.
Uma colcha de retalhos é também o encontro dos refugados, tiras que sobraram, mas que juntas constroem padrões estéticos embuídos de sentimentos e escolhas.
Engraçada esta vida, num dia se é o retalho esquecido, no outro a manta que aquece...
E talves por isto me reste esperança de tirar do nada o tudo que tanto busco. talvez um dia costure uma colcha de retalhos e posso me transpor figurativamente de objeto para criador, ou só me sinta confortada por ter conseguido ir até o final, fazer o melhor possível.
Preciso deitar meu rosto no travesseiro fofinho e esquecer das coisas inacabadas, focar no processo e dormir em paz, me falta uma colcha quentinha cheia de histórias para confortar o presente, sinto o tecido desfiado da vida e dói remendar cada pedacinho.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Verdade

Primeira verdade na minha vida, minha mãe me ama.
Segunda verdade, minha filha me ama.
Terceira verdade, eu me amo.

O resto são como barquinhos de papel, lindo no começo, pode até flutuar por um tempo, mas afundam. Barquinhos de papel não trazem assinaturas, são frágeis e inseguros, servem para distrair, depois se perdem no tempo e viram apenas lembranças.

A verdade sempre aparece, seja no acaso, por um pressentimento, ou mesmo através dos olhos e reações que contam mais do que a covardia que cala.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Trabalho

Cada um sabe o que faz da vida, mas é bom pensar bem nas escolhas, elas trazem muitas informações sobre quem realmente somos.
Escolhi ser professora ainda pequena,  isto já faz algum tempo e posso afirmar com convicção que foi minha melhor escolha, nos outros campos da vida costumo ter um dedinho meio podre.
 Imagino como seria minha vida se tivesse que passar oito horas por dia fazendo algo que não gosto.
Amanhece e a rotina se reinicia, a vontade de realizar bem meu trabalho garante que meu edredon não seja tão sedutor.
Trabalhar é de alguma forma doar um pouco de si para os outros, permitir que um dom se propague e semeie outros dons ao redor.
Não imagino minha vida no ócio total, isolada dentro de mim. O trabalho é uma atividade social e fundamental para a saúde, ter algo que mantenha o foco.
A profissão de cada um casa com a forma de ver o entorno, seja ela fundamentada no ser ou no ter, não existem ocupações melhores ou piores, é como formar uma teia, cada fio tem sua função, criam-se conexões.
Conheço muita gente que reclama sem parar do trabalho, mas será que estas pessoas tem noção da função desta ocupação para  quem convive com elas, muita insatisfação vem recheada de egoísmo.
Um tal de achar sua ocupação,  posto hierárquico, salário ou história de buscas mais importante.
Trabalho é sempre trabalho, uma forma de devolver para o meio em que vive um pouco do que já recebe.
Se não fosse professora poderia ser artesã, dona de casa, bordadeira, pintora ou qualquer outra coisa que consguisse fazer com um mínimo de competência, mas o fato é que não sobreviveria muito tempo isolada dentro de mim, sem nada pra fazer.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Percepção do tempo

Engraçado como o tempo passa e continuamos a acreditar na eternidade dos momentos, e num belo dia basta olhar no espelho e ver que o tempo passou, aparecem marcas no rosto, cabelos brancos e a forma de ver o mundo muda. Descobre-se derrepente que dá para envelhecer dez anos num dia.
Ainda bem, imagino a vida se ficassemos esperando as mudanças que o tempo traz, não seria fácil viver.
O corpo muda, e com sorte ganha-se alguma sabedoria.
Percebi meu tempo passando, rápido, implacável e a sede que tinha já não me cabe mais, como as roupas e cabelos que perdem o corte.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Relacionar-se

Como é complicado conviver, isso não é nenhuma novidade porém não consigo encontrar ninguém que saiba fazer isso sem sair arranhado pela presença do outro ou sem arranhar quem o cerca.
Existem tantas regras de convivência e tantas maneiras de esquecê-las na correria do cotidiano...Cada um discursa suas justificativas para atropelar quem de alguma forma atrapalha seus planos.
Num trânsito de buscas abandonamos princípios, sentimentos e vestimos o traje do carrasco, é só percebemos quando alguém grita reclamando por seus direitos invadidos pelos nossos desejos.
Nessa história toda não importa o que o outro vai sentir ou enfrentar, cada um mede seus problemas e se acha no direito de ferir para se defender...
Todos temos habilidades  e dificuldades, escondemos e mostramos, mas algumas vezes não existe controle, ações explodem sem avisos.
Descobri a minha maior dificuldade...conviver! Sou inábil, desajeitada, despejo palavras, não disfarço meu sentir, fica estampado no meu rosto, reajo na hora e muitas vezes sem pensar. Isso me faz magoar, ferir quem não merece e confiar em quem não deveria.
Querer muito leva a assumir responsabilidades, arriscar-se.
É tão simples discursar sobre o assunto, complicado é fazer, conviver dói.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Leitura pra viajar

Alguns livros marcaram minha vida, foram companheiros em aventuras muito particulares com direito a transgressão e fantasia, mas reler um livro depois de anos e se encantar com a descoberta de minúcias que a adolescência não me permitiu ver não tem preço...

“Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro!”
...
"E foi tão corpo que foi puro espírito. Atravessava os acontecimentos e as horas imaterial, esgueirando-se entre eles com a leveza de um instante."

PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM
Clarisse Lispector



domingo, 5 de setembro de 2010

Desencantamento

Queria ser tomada, dominada por uma força maior que me fizesse cair de joelhos, desafiar o destino, fazer algo impensável, gritar no meio da praça as verdades que ninguém deseja ouvir, ser Clarisse Lispector com a caneta na mão. Que angústia esta falta do que pensar, não existe novidade, tudo se repete numa constância de não existir.
Minhas leituras me transportam por segundos, mas meus olhos não conseguem manter o fascínio na realidade, parece que o mundo ficou desbotado, passaram borracha nas linhas, ficaram borrões e sombras.
Sou uma insatisfeita, que saco, seria qualidade não fosse meu hábito de deixar as pessoas coladas ao momento vivido, algumas congeladas no passado outras meio mortas no presente, vejo mas não me encanto.
Vou ser bruxa, fazer poções mágicas pra me encantar, ficar apaixonada pela vida por prazos inderteminados... E talvez só assim passe o marasmo, não espero grandes surpresas, os fatos já mostram que o terreno não é sólido.


Preferências

E bastava dizer que os mundos não se encontrariam, que as mentes não se sintonizam, mas tudo é dito de forma sutil e fica quase impossível ler diante de tanto receio de se mostrar, quem sabe o que habita atrás daquelas palavras tortas.
Cada olhar que escapava deixava um cheiro de jasmim no ar, tão leve que confundia dava esperança, seria medo ou incapacidade de sentir, e no jogo de gato e rato chegava a hora de abater a presa.
As preferências dela já esquecidas, guardadas nas gavetas longe dos olhos e da poeira que cobria sua alma tão cansada de desiludir-se, restavam fatos coisas que seus olhos fotografavam, imagens que se repetiam nos sonhos cada dia mais raros.
Num despertar repentino olhou-se, viu que restava encanto, que seu corpo  abrigava calor, que seu caminhar ainda era uma dança, que a platéia  estava lá, era só a poeira do seu não fazer que a impediu de ver os que a olhavam, foi preciso alguém gritar, rubrar seu rosto para que se descobrisse flor recém desabrochada, explendida, desejada.
Esquecera as palavras mornas, ouvia o arder da platéia, mas não queria ser diva  bastava ser humana, entretanto carecia daquele calor, fazia frio há tanto tempo...
Seu cansaso com a espera, foi substituído por um desejo alucinado de ser  livre, Frida khalo com pincéis na mão, muitas Marias com poeira nos pés, e nada do que fosse dito poderia fazê-la retroceder. As palavras não eram mais sua busca, cansara-se de esperá-las.
Não haveriam naves para resgatá-la, nem cavaleiros empunhando espadas, seriam passos na estrada, caminho definido, mesmo com frio na barriga ela não olharia para trás, estava convencida e demorou tanto que seria um pecado retroceder.
Nas suas fases de Lua encontrava-se nova, alguns poderiam vê-la durante o dia brilhando, outros notariam sua ausência durante a noite, mas ela sabia que o momento é de seguir para a fase crescente, ir aos poucos mas sem paradas, as preferências agoram eram só suas.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Desabafo

Queria poder dividir o fardo, mas escrever ainda é uma forma de aliviar a tensão...
Não me acostumo com a falta de amor, com o descaso, o abandono.
Aqueles olhos brilhantes e o sorriso franco me cortam a alma, tão pequena e devastadora no seu sofrimento e ainda capaz de sorrir. Que mundo é este que permite tanta crueldade?
A água turva que escorria naquele banho lavava a sujeira e aliviava o calor, mas também gritava socorra-me.
Cada ferida na pele  lembrava-me que as cicatrizes são bem maiores por dentro.
Mãos tão pequenas encobertas pela poeira acumulada, pés pretos que carregam uma história que ela nem sabe contar.Tudo fica emaranhado, como aqueles cabelos finos tomados pelos piolhos e carrapatos, feridos na raíz.
Nada que meus olhos já viram me fragilizaram tanto. Como se recebesse chibatadas a cada afago que recebia por me sentir tão incapaz.
Um ciclo vicioso, de desamor, de caminhos tortuosos que tantos passam e outros tantos veem e se compadessem mas  continuam seu caminhar alheios uns dos outros.
E por dentro da minha casca me deparo com sentimentos tão confusos, estou cansada e perdida, cada passo demora tanto.
Queria poder tanto, mas o alcance das minhas mãos é tão pequeno...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pequenas alegrias

Visitar a Bienal do livro é no mínimo uma delícia, conseguir encontar livros que há muito queria comprar e melhor levá-los para casa é algo que no momento pode ser comparado a ter um orgasmo múltiplo. Tenho me contentado com pequenas coisas, e descobri que para ser feliz tenho que contar com minha ajuda, não dá pra ficar contabilizando as mancadas alheias e levantar bandeira de coitadinha por muito tempo, isto realmente não combina comigo.
Terminar um trabalho e entregá-lo com ajuda de pessoas que não esperava foi outra pequena alegria que me reservei.
Descobrir que posso voltar a rir das besteiras que faço, e rir muito das que pude evitar me reservaram nesta semana outras pequenas alegrias.
Nada de arrependimentos, as merdas que fiz ficarão quietinhas afinal quanto mais se mexe mais elas fedem!
Frio serve para brincar de robozinho, se encher de camadas de roupa, tomar vinho barato e comer muito...feijoada, caldo de mocotó, chocolate e dormir agarradinha com minha filha cheirosa.
Calor serve para secar a roupa, limpar a casa, ver a poeira subir, as crianças correrem, tomar refrigerante gelado e dançar.
Temperaturas instáveis servem para deixar o tempo passar, seguir o rumo, tirar e colocar agasalhos, carregar o que puder e entender que nem tudo tem controle.
Pequenas alegrias me bastam neste momento, são todas minhas, e assim plena de instantes sigo o caminho.
Basta ligar o music player, desconestar do planeta, seguir para dentro e se tudo cair em volta posso até brincar de montar os caquinhos, só vejo pequenas alegrias dançando no meu mundo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Frases soltas...

Se minha cabeça fosse um HD de computador poderia jurar que ela estaria infectada por um cavalo de tróia daqueles bem devastadores... As janelinhas dos programas estão lentas, quando mais preciso trava, demora para ligar e também para desligar, e o pior não está a venda um programa para reinstalar o que estava armazenado.
Duas soluções me ocorrem, primeiro descobrir o meu anti-vírus e segundo instalar um novo programa e esquecer tudo que foi perdido.
Seria tão simples...pena que não sou uma máquina.

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
Clarice Lispector
 
Frases soltam dançam num ritmo alucinado, um baile solitário onde só elas dançam. O resto é só poeira nascida para confundir e sufocar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Música linda, Nando Reis e Ana Cañas arrepiando!

Num tempo em que a macarronada me fazia feliz!

Sinto saudade da minha infância, dos dias longos, dos almoços de domingo com a família reunida na mesa para devorar a macarronada com ovos cozidos enfeitando, frango frito e coca-cola de garrafa.
Passava a semana esperando para sentir aquele cheirinho, ver minha mãe arrumando a toalha e colocando as travessas na mesa. Lembro do meu prato de esmalte, da colher, e do colorido da mesa... via meus pais tão alegres por estarem em casa e não entendia direito, só ficava feliz de tabela e pronto!
Fica cada vez mais difícil me alegrar com o simples, aprendi a cultivar o desencanto.
Saudade deste doce tempo, saudade da alegria pura sem longas esperas, de ser só filha e ter como única preocupação a de pegar antes o pedaço de peito do frango que tinha o ossinho da sorte, não sabia o caminho daquela comida mágica, não sabia analisar nada, saboreava, sentia e limpava o prato e era tão feliz assim de forma tão simples,

terça-feira, 3 de agosto de 2010


E que o véu proteja meus pensamentos
Que meus olhos vislubrem respostas
Mesmo aquelas que me assustam ao cair da noite.
Flores, pétalas, luz e perfume.
Cair e brotar numa dança do tempo.
Me desvendo, viro avesso,
semeada.
Canto não, sussurro sim.
Pétala por pétala, parte por parte...
Revoam abelhas e borboletas,
aguardo o outono.
E assim sem saber ainda, prevejo o tempo,
invento respostas, traços e cheiros.
E ser for sim...
E se for não...
E se a resposta for só confirmação?
E que o véu de flores proteja meus pensamentos.

Shirlei

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Fatos serão sempre fatos

Parece que algumas palavras tornam a vida mais bela, deixam um ar de quietude e permitem aos sonhadores acreditar, mas tudo isso é ilusão.
Fatos contam mais do que palavras...
Quando alguém diz que te ama, é possível que a pessoa em questão acredite nisso mas e suas atitudes, elas correspondem ao que foi dito? Pensei em algumas frases populares muito sábias por sinal, uma delas:
 "Amor só de mãe!"
Pensei no que realmente isso quer dizer, mãe é aquela que cuida, proteje, acompanha, incentiva, acredita, compartilha, vê beleza onde outros nem descofiam que ela exista, compreende, respeita, ensina.
Até agora não me deparei com um relacionamento de casais que consiga reunir todas estas qualidades, se é que dá para nomear assim.
Ações gritam alto, palavras voam com o vento.
Pessoas fortes são analisadas por suas atitudes diante das situações cotidianas, nem sempre suas palavras correspondem ao que sentem, mas suas ações deixam carimbado no ar que habitam a essência do que realmente são.
Ser capaz de organizar a própria vida não significa ausência de medo, necessidade de amparo, não existem pessoas auto-suficientes.
Perguntas que não calam...
As ações das pessoas que me cercam são pautadas em que sentimentos?
As palavras que escuto são verdadeiras ou apenas um emaranhado de letras cantadas para seduzir meu coração?
Tenho direito de julgar? Como será que me julgam?
Que imagens posso ler nas cenas do cotidiano?
Os fatos, que palavras me dizem? E as palavras correspondem aos fatos?
No meio de um labirinto de palavras me perco, escuto o som que emitem, esbarro nos muros dos fatos, e a névoa que antes se dissipava agora é densa.
Um não pode vir vestido de descaso, e nem precisa da pronúncia para deixar claro que ele existe.

Mais perólas da sabedoria popular...
"Quem ama cuida!"
"Só percebemos o valor da água depois que a fonte seca."
"A palavra vale prata, o silêncio vale ouro!"
"Mais vale um pássaro na mão do que dois voando."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia 20 de julho

A postagem de hoje é uma homenagem, uma amiga muito especial passa a ser mãe, ser tão pleno que carrega força e fragilidade dentro do mesmo coração.
Fabi não posso estar perto, a vida capitalista, o excesso de responsabilidades me impedem de estar fisicamente ao seu lado, mas fiz minhas orações e continuarei a fazê-las para que tudo ocorra bem.
Parabéns pela dádiva que alimentará em seu peito e embalará nos seus braços.
Seja bem vinda Maria Luiza, o mundo te aguarda cheio de amor e aprendizado!!!

O dia 20 também é o dia do amigo, e quando algo acontecer e não for possível conter as palavras, lágrimas ou sorrisos a melhor coisa a se fazer é buscar um amigo, pode ser aquele de todos os dias, ou os que ficam distantes prontos para reaparecer no momento necessário, mas o que é fundamental é ter amigos, não importa a quantidade ou a localização, o que realmente importa são os sentimentos ofertados.

sábado, 17 de julho de 2010

Bordados, tecidos, linhas e o tempo.

    Separei algumas caixas, abri com cuidado e resgatei do passado planos abandonados, coisas que me encantaram e por algum motivo precisaram ser guardadas, revirando tecidos, agulhas, aviamentos e linhas descobri mais do que esperava. Engraçado como alguns objetos conversam com o dono, relembram conversas, aquelas que temos com quem não pode verbalizar uma resposta esperando que a pronúncia seja interna.
    Me deparei com um tecido de etamine, já embanhado, com boa parte do bordado  adiantada, dobrado dentro de um saco plástico, as meadas de linha também estavam juntas e uma agulha sem ponta própria para bordar já enferrujada pelo tempo, observando os materiais tentei imaginar quais motivos me levaram a abandonar um trabalho quase pronto.  Foram necessários alguns minutos para relembrar a época em que foi começado, foram dez anos de repouso dentro do saco plástico até o reencontro.
    Segurei o tecido, deslizei os dedos pelas linhas já incorporadas na trama, o toque me remeteu ao passado, agora sabia o motivo de estar ali, frente ao companheiro de longas noites de insônia...Quando não se sabe o caminho para resolver alguns problemas uma forma de descobri-los é ausentar-se, pesquisar as causas e pensar.
     Cada ponto traçado naquele tecido amarelado pelo tempo tinha um sentido, e hoje desperto após anos de sobrevivência me serve de abrigo, retorno ao ir e vir de linhas, tento novamente resgatar algo que cabe somente a mim.
    Terminei o bordado, foram dez anos esperando para fechar um ciclo, iniciarei outros, espero conseguir terminá-los em menor tempo.
    Organizar minhas caixas,  me organizar por dentro, ficar com o que é realmente necessário, ter coragem para me disfazer do que não cabe mais apesar do apêgo, concluir o que foi começado, escolher com racionalidade o que será feito para não buscar o que não posso ter.  Bordar, mergulhar no meu avesso e ver o que escondo até de mim, lembrando que os pontos devem ser firmes, contados, precisos e que ao terminar uma peça pode-se começar outra.
    Descobri porque os guardei por tanto tempo, antes não era necessário abrir aquelas caixas para  trazer-me de volta.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Raízes

   Outro dia conversando com minha mãe descobri que ela havia enterrado meu umbigo embaixo de um pé de ameixa que existia no quintal da minha casa. Não sei bem ao certo de onde vem este costume, mas reza a crença que onde o umbigo é enterrado a pessoa cria raízes.
   Quando paro e me imagino longe da minha casa me sinto desconfortável, acabo sempre voltando.
   Olho as árvores e me sinto tão próxima, somos parecidas em alguns pontos, temos necessidade de chão firme para ter segurança, não nos incomodamos em doar frutos, mas tem que saber esperar a florada, e entender o período de deixar cair as folhas.
   Uma vez um colega me disse que eu me comportava como um carvalho, fiquei dias pensando na comparação dele e fui obrigada a questionar, a explicação entrou nos meus ouvidos como facas afiadas, quase me quebrando, ele tinha razão em muita coisa, desde então tenho tentado me curvar como junco, mas é árduo lutar contra a própria natureza.
   Não sei ser errante, me dói a incerteza, preciso de terra, água e luz, tudo no seu devido lugar.
   Deixo as incertezas para a minha mania de sentir, ressentir e esquecer, como água que entra pelas raízes, percorre o tronco, dança nas folhas e evapora, some, assim como chega se despede, sem maiores avisos ou cerimônias.
   De resto preciso de certezas, para não ficar maluca e perder as folhas na época errada.

Three Little Birds (Bob Marley) Legendado