sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Onde esconderam os filmes de animação que encantam?

Tenho percorrido as grandes lojas de vendas de filmes desta cidade e para meu espanto sobram filmes comerciais, cheios de sangue e carne nua, porém encontrar um Kiriku e os animais Selvagens, ou Contos da Noite tornou-se quase ganhar na loteria.
São dois meses de andanças, revirei prateleiras de grandes livrarias, invadi redutos nerds, horas na internet nos sites de busca e nada...Indisponível...
Como assim??? Filmes lindos ficam escondidos é isso?
Quem movimenta essa avalanche de lixo cinematográfico cheios de mensagens consumistas e incitação a violência?
Esse post é um desabafo, fiquei pasma ao constatar que Hayao Miyazaqui, Isao Takahata, Sylvain Chomet e Michel Ocelot são quase nomes proibidos dentro deste universo de venda de DVDs, todos responsáveis por filmes de animação incríveis.
Alguém pode me dizer onde encontrá-los????

domingo, 30 de setembro de 2012

Eis que chega a Primavera, suas cores e aromas invadem a cidade, a casa, o corpo. Mas desconfio que o Inverno também se encantou por esta beldade, o clima está incerto, como se ambos flertassem de mãos dadas. 
Nestes dias frios e lindos, avistei arco-íris pela manhã, ouvi o vento cantar imperioso, quase gritos que balançavam a janela, vi minhas plantinhas crescerem, as flores desabrocharem e constatei algo que disfarçava...Sou uma romântica!
Após pensar nas minhas reações diante dos caminhos que a vida ofereceu percebi que criei casca grossa porque o interior é mole. 
Alguns sintomas me chamaram a atenção:
Amor pela poesia, e dos avassaladores;
Tendência a nostalgia, o antigo me atrai como chocolate;
Contemplação ao ver a lua, céu estrelado, as cores do amanhecer e do entardecer;
Gosto pelas flores, a delicadeza do desabrochar e colorir tudo em volta;
Preferência ao drama, seja no cinema ou literatura;
Incorrigível otimismo...
Reações faciais e corporais diversas impulsionadas pelo calor das emoções;
Manter caderninhos para registrar pensamentos, sensações, inspirações;
...
E agora!?
A Primavera chegou e  abriu-me os olhos, sou romântica mesmo!
Dada esta constatação, aproveitarei a fase de auto-conhecimento e me permitirei o piegas, o insano e libertador exercício do romantismo.
O vento continua seu canto,  flores desabrocham, a lua cheia brilha no céu e o caminho é longo e largo...





Uma ajuda pequena e simples para manter este planeta habitável!





















sexta-feira, 8 de junho de 2012

Julieta em São Paulo

Se é para falar de amores impossíveis nada melhor que me inspirar em Shakespeare, num cenário de concreto e fumaça cinzenta, entre grafites e buzinas, nas ruas movimentadas com seus prédios amontoados.
A história começa no coração de Julieta, mulher urbana que acorda cedo, enfrenta o trânsito e acredita na vida   apesar das inúmeras desilusões amorosas que coleciona.
A Julieta paulista tem seus 35 anos e ainda quer casar, olha cada homem que se aproxima cheio de mel como seu Romeu, o homem prometido em vidas passadas, o companheiro das noites geladas e das caminhadas na feira de domingo. Olha o sol como uma bússola para guiar os passos rápidos entre as esquinas perigosas da vida, segura forte a bolsa contra o corpo pois tem medo da violência que assola os solitários, e acredita carregar tesouros insubstituiveis como seu rímel e batom baratos instrumentos de mágicos de beleza instantânea. Julieta assim como tantas se preocupa com a imagem, escrava de um padrão que traz tanto sofrimento, caminha entre vitrines e pensa nas prestações do cartão de crédito e na possibilidade de dever um pouco mais.
Decidida entra no recanto da beleza, pinta, hidrata e escova seus cabelos que passam a ser de uma outra mulher, a dama do comercial de shampoo. Perfuma-se, confere a roupa, verifica o brilho dos sapatos e ensaia o sorriso perfeito, e volta para sua caminhada solitária mas agora como deusa e aguarda o enlace perfeito.
Julieta busca assim, no cotidiano a sua metade da laranja e nem imagina o quanto se perde de tanto procurar.
E numa tarde despretensiosa lá vem ele o Romeu, homem urbano, colecionador de mulheres, lobo em pele de cordeiro, e sem nenhuma restrição rouba o coração da pobre Julieta e a coloca no seu harém, e ela depois de tanto esperar passa a lutar para conquistar seu amor, sentimento esse que ele desconhece, acostumou-se a consumir vidas.
Raramente caminham juntos, Romeu diz ama-la enquanto goza e ela consome migalhas por não lembrar quem é, colecionam segredos, ela de suas dores e ele de seus "amores", o casal perfeito dessa vida cinza e morna. Ambos estão mortos sem saber, e nunca conhecerão quem realmente são, separados por projeções, ele da dama perfeita, e ela do homem redimido.
Julieta e Romeu caminham na multidão, você pode encontrá-los nas páginas sociais curtindo e compartilhando, e nessa história eles não morrem fisicamente, gozam de boa saúde, ele pratica esportes, ela pinta as unhas, são separados pelo não saber amar, envenenados pelas buscas pessoais.
Dizem que em breve  viajarão juntos, tentativa de encontrar antídoto mas em doses tão pequenas quem poderá vencer tal mal.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Verbalizo

Relembro instantes, 
estados profundos
Experimento reflexos, 
sagrado e profano
Revejo caminhos, 
passos longos
Anseio sonhos, 
sentidos aflorados
Escuto mentiras, 
verdades inventadas
Encontro cortes, 
linhas e veias
Repasso gentileza, 
vingança humana
Descubro reflexo, 
subversão do tempo
É tanto verbo, é tanto 
Sou pouco, desconheço
Tateio no escuro, escuto
E o beijo não dado aquece minha boca, calada.
Deixo o inverno chegar ciente da fragilidade do tempo
Enfim, é fim, e finalmente.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

O direito a sonhar

"O que acham se delirarmos um pouquinho? 
O que acham se fixamos nossos olhos mais além da infâmia, para imaginarmos outro mundo possível.
Tente adivinhar como será o mundo depois do ano 2000. Temos apenas uma única certeza: se estivermos vivos, teremos virado gente do século passado. Pior ainda, gente do milênio passado.
Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede. Deliremos, pois, por um instante. O mundo, que hoje está de pernas para o ar, vai ter de novo os pés no chão.
Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros.
O ar será puro, sem o veneno dos canos de descarga, e vai existir apenas a contaminação que emana dos medos humanos e das humanas paixões.
O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV. A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas.
Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar.
Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados apenas os quiserem se alistar.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas.
Os cozinheiros não vão mais acreditar que as lagostas gostam de ser servidas vivas.
Os historiadores não vão mais acreditar que os países gostem de ser invadidos.
Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas.
O mundo não vai estar mais em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza. E a indústria militar não vai ter outra saída senão declarar falência, para sempre.
Ninguém vai morrer de fome, porque não haverá ninguém morrendo de indigestão.
Os meninos de rua não vão ser tratados como se fossem lixo, porque não vão existir meninos de rua. Os meninos ricos não vão ser tratados como se fossem dinheiro, porque não vão existir meninos ricos.
A educação não vai ser um privilégio de quem pode pagar por ela.
A polícia não vai ser a maldição de quem não pode comprá-la.
Justiça e liberdade, gêmeas siamesas condenadas a viver separadas, vão estar de novo unidas, bem juntinhas, ombro a ombro.
Uma mulher - negra - vai ser presidente do Brasil, e outra - negra - vai ser presidente dos Estados Unidos. Uma mulher indígena vai governar a Guatemala e outra, o Peru.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio vão virar exemplo de sanidade mental, porque se negaram a esquecer, em tempos de amnésia obrigatória.
A Santa Madre Igreja vai corrigir alguns erros das Tábuas de Moisés. O sexto mandamento vai ordenar: "Festejarás o corpo". E o nono, que desconfia do desejo, vai declará-lo sacro. 
A Igreja vai ditar ainda um décimo-primeiro mandamento, do qual o Senhor se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte". Todos os penitentes vão virar celebrantes, e não vai haver noite que não seja vivida como se fosse a última, nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro."


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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Avesso

Revirada
Me vejo pelo avesso
Mostro meus remendos
Corto linhas, arremato 
E o avesso tem mais cor quem diria?
Traçado torto e forte
Avesso
Tesouras embaraçam o cabelo
Lâminas alisam a pele
Línguas lambem o suor
Lábios e palavras avessas
Revirada
Revivida
Me vejo pelo avesso
Desejo exposto, carne crua.
Shirlei Lua

domingo, 1 de abril de 2012

Personagem não tem tempo para escrever

E para escrever é necessário parar e digerir o vivido ou o sonhado, e nesse momento não posso parar, tenho prazo e um sentimento de liberdade me toma, fui despida de muitos valores, alguns sentimentos ficaram mornos e outros estão em plena erupção.
Voltei nesta breve postagem, estou viva, bem e me reinventando, não tenho mais os mesmos olhos, nem os cabelos, nem a alma feminina de antes. Sei que não sou doce ou frágil, esta certeza já tenho, porém não faço ideia de quem serei amanhã, ou mesmo nesta noite, sei quem não sou e o resto é só vida.
Troquei algumas leituras por caminhadas, descobri novas músicas, e converso com pedras e elas me respondem em silêncio.
Risadas, danças, cores, aromas me interessam, e as palavras chegam em breve. É hora de ser personagem e depois narradora.
Viva a vida!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Amor Mais Que Discreto

"Talvez haja entre nós o mais total interdito
Mas você é bonito o bastante
Complexo o bastante
Bom o bastante
Pra tornar-se ao menos por um instante
O amante do amante
Que antes de te conhecer
Eu não cheguei a ser


Eu sou um velho
Mas somos dois meninos
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns instantes
O grande espelho
E aí a minha vida ia fazer mais sentido
E a sua talvez mais que a minha,
Talvez bem mais que a minha
Os livros, filmes, filhos ganhariam colorido
Se um dia afinal
eu chegasse a ver que você vinha
E isso é tanto que pinta no meu canto
Mas pode dispensar a fantasia
O sonho em branco e preto
Amor mais que discreto
Que é já uma alegria
Até mesmo sem ter o seu passado, seu tempo
O seu agora, seu antes, seu depois
Sem ser remotamente
Se quer imaginado
Se quer imaginado
Se quer
Por qualquer de nós dois"


Caetano Veloso

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pagu

"Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda.
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem"
Rita Lee e Zélia Duncan