sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Desabafo

Queria poder dividir o fardo, mas escrever ainda é uma forma de aliviar a tensão...
Não me acostumo com a falta de amor, com o descaso, o abandono.
Aqueles olhos brilhantes e o sorriso franco me cortam a alma, tão pequena e devastadora no seu sofrimento e ainda capaz de sorrir. Que mundo é este que permite tanta crueldade?
A água turva que escorria naquele banho lavava a sujeira e aliviava o calor, mas também gritava socorra-me.
Cada ferida na pele  lembrava-me que as cicatrizes são bem maiores por dentro.
Mãos tão pequenas encobertas pela poeira acumulada, pés pretos que carregam uma história que ela nem sabe contar.Tudo fica emaranhado, como aqueles cabelos finos tomados pelos piolhos e carrapatos, feridos na raíz.
Nada que meus olhos já viram me fragilizaram tanto. Como se recebesse chibatadas a cada afago que recebia por me sentir tão incapaz.
Um ciclo vicioso, de desamor, de caminhos tortuosos que tantos passam e outros tantos veem e se compadessem mas  continuam seu caminhar alheios uns dos outros.
E por dentro da minha casca me deparo com sentimentos tão confusos, estou cansada e perdida, cada passo demora tanto.
Queria poder tanto, mas o alcance das minhas mãos é tão pequeno...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pequenas alegrias

Visitar a Bienal do livro é no mínimo uma delícia, conseguir encontar livros que há muito queria comprar e melhor levá-los para casa é algo que no momento pode ser comparado a ter um orgasmo múltiplo. Tenho me contentado com pequenas coisas, e descobri que para ser feliz tenho que contar com minha ajuda, não dá pra ficar contabilizando as mancadas alheias e levantar bandeira de coitadinha por muito tempo, isto realmente não combina comigo.
Terminar um trabalho e entregá-lo com ajuda de pessoas que não esperava foi outra pequena alegria que me reservei.
Descobrir que posso voltar a rir das besteiras que faço, e rir muito das que pude evitar me reservaram nesta semana outras pequenas alegrias.
Nada de arrependimentos, as merdas que fiz ficarão quietinhas afinal quanto mais se mexe mais elas fedem!
Frio serve para brincar de robozinho, se encher de camadas de roupa, tomar vinho barato e comer muito...feijoada, caldo de mocotó, chocolate e dormir agarradinha com minha filha cheirosa.
Calor serve para secar a roupa, limpar a casa, ver a poeira subir, as crianças correrem, tomar refrigerante gelado e dançar.
Temperaturas instáveis servem para deixar o tempo passar, seguir o rumo, tirar e colocar agasalhos, carregar o que puder e entender que nem tudo tem controle.
Pequenas alegrias me bastam neste momento, são todas minhas, e assim plena de instantes sigo o caminho.
Basta ligar o music player, desconestar do planeta, seguir para dentro e se tudo cair em volta posso até brincar de montar os caquinhos, só vejo pequenas alegrias dançando no meu mundo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Frases soltas...

Se minha cabeça fosse um HD de computador poderia jurar que ela estaria infectada por um cavalo de tróia daqueles bem devastadores... As janelinhas dos programas estão lentas, quando mais preciso trava, demora para ligar e também para desligar, e o pior não está a venda um programa para reinstalar o que estava armazenado.
Duas soluções me ocorrem, primeiro descobrir o meu anti-vírus e segundo instalar um novo programa e esquecer tudo que foi perdido.
Seria tão simples...pena que não sou uma máquina.

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
Clarice Lispector
 
Frases soltam dançam num ritmo alucinado, um baile solitário onde só elas dançam. O resto é só poeira nascida para confundir e sufocar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Música linda, Nando Reis e Ana Cañas arrepiando!

Num tempo em que a macarronada me fazia feliz!

Sinto saudade da minha infância, dos dias longos, dos almoços de domingo com a família reunida na mesa para devorar a macarronada com ovos cozidos enfeitando, frango frito e coca-cola de garrafa.
Passava a semana esperando para sentir aquele cheirinho, ver minha mãe arrumando a toalha e colocando as travessas na mesa. Lembro do meu prato de esmalte, da colher, e do colorido da mesa... via meus pais tão alegres por estarem em casa e não entendia direito, só ficava feliz de tabela e pronto!
Fica cada vez mais difícil me alegrar com o simples, aprendi a cultivar o desencanto.
Saudade deste doce tempo, saudade da alegria pura sem longas esperas, de ser só filha e ter como única preocupação a de pegar antes o pedaço de peito do frango que tinha o ossinho da sorte, não sabia o caminho daquela comida mágica, não sabia analisar nada, saboreava, sentia e limpava o prato e era tão feliz assim de forma tão simples,

terça-feira, 3 de agosto de 2010


E que o véu proteja meus pensamentos
Que meus olhos vislubrem respostas
Mesmo aquelas que me assustam ao cair da noite.
Flores, pétalas, luz e perfume.
Cair e brotar numa dança do tempo.
Me desvendo, viro avesso,
semeada.
Canto não, sussurro sim.
Pétala por pétala, parte por parte...
Revoam abelhas e borboletas,
aguardo o outono.
E assim sem saber ainda, prevejo o tempo,
invento respostas, traços e cheiros.
E ser for sim...
E se for não...
E se a resposta for só confirmação?
E que o véu de flores proteja meus pensamentos.

Shirlei