segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Literatura a luxúria feminina.

A solidão me reserva muito tempo para pensar, e seria hipocrisia levantar a bandeira da mocinha pura que só pensa em trabalho e no princípe encantado,rsrs.
No auge do meu ócio comecei a imaginar como a vida seria se me deparasse com uma das mulheres eternizadas na literatura mundial, ou melhor como seria brincar dentro do personagem!?!
Escrever e ler são ocupações que me consomem, é quase um exercício antropofágico de me comer e vomitar modificada. Parece meio maluco, mas é prazerozo, penso em tudo que não tenho coragem de fazer, invento um mundo paralelo e pronto, visto a pele das personagens que tanto me fascinam e viajo.
Desde criança passava horas lendo, queria ser a Wendy da história do Petter Pan, depois Joana D'Arc com sua coragem e audácia, na adolescência quis ser Pagú com toda sua controvérsia e a capacidade de romper padrões, depois vieram os sonhos de Lolita, a sabedoria de Sofia, a inconstância de Joana e seu coração selvagem, e muitas habitaram meu cérebro, incentivaram meu coração a ser por instantes mais vivo...
A realidade muitas vezes é feia, cheia de mentiras, frases perdidas sem enredo decente com um fim meia boca, além de faltar sentimentos avassaladores como os descritos nos romances que encantam tanto a alma feminina.
Depois de me descobrir mulher, aprendi a sentir menos...Tudo menos, encanta menos, dói menos, fala-se menos, e nessa de diminuir pra ter controle vai ficando meio morno, borrado. Preciso ser salva urgentemente, alguma personagem precisa me resgatar do poço do medo "de quebrar a cara"!
Quero uma personagem que seja tímida quando necessário, que rubre o rosto diante do incontrolável, que  derreta-se nos braços do seu amado, e seja musa para este e mesmo assim tão mulherzinha carregue na sua vida a capacidade de transformar, construir algo de concreto e valoroso para os que a cercam, não precisa ser linda, basta ser única. Se alguém conhecer uma história parecida me avise, devoro rápido e aprecio sem moderação.

sábado, 27 de novembro de 2010

São Paulo, terreiro da diversidade.

Apesar de ser conhecida como a cidade do concreto, vejo nestas avenidas mais do que cimento, vejo pessoas, histórias que se encontram e caminham num ritmo apressado pra dar conta de tanta coisa pra viver.
Conheço pouco da minha cidade, tomo a liberdade de chamá-la de minha pois a amo e sou parte viva dela. São tantas ruas, parques, avenidas, bares, restaurantes, lojas, bibliotecas, cinemas, teatros, pessoas com rostos tão variados, beleza mista, multicultural.
Lugar de gente, de sementes do futuro, mesmo que este seja só uma idéia.
E aqui come-se de tudo um pouco, dançamos frenéticamente nas baladas que não param nem durante a semana, mesmo que muitos ainda durmam pra acordar cedo e ir trabalhar, ouvimos poesia sem pressa, vencendo o cansaço e acalentando a alma.
Vivemos tantas estações num dia só, manhãs frias com neblina, dias quentes com mormaço e depois vem as noites frias pra fechar a porta do quarto e se esquentar como puder. Quantas garoas, chuvas que trazem enchentes deixando claro que falta sim um pouco de mato e terra nua.
Adoro essa cidade, suas luzes ao anoitecer, a variedade de sons, buzinas, sons nos carros, televisores nas salas, papos animados nos barzinhos e calçadas. Sessões de cinema, espetáculos de teatro, shows de ritmos tão variados.
Famílias espalhadas, divididas em regiões, mas unidas nas tardes de domingo, nos churrascos das lajes, macarronadas nas casas das tias, lanches nas casas das avós.
Cidade dos Parques Ibirapuera, Guarapiranga, Zoológico, Água Branca, Trianon, e tantos outros...
Dos cinemas com pipocas, e primeiros encontros, reencontros e despedidas.
No cinza do concreto vejo cores que só as pessoas podem produzir.
No céu coberto de poluição, vejo luzes que mesmo artificiais possuem seu encanto, brilhando ao lado da lua que calma tudo observa. Nativos, estrangeiros, migrantes e imigrantes, partilham do teu solo e comungam da sua correria na dança da eterna colheita.
São Paulo, minha terrra que amo, posso ir mas sempre volto.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Divulgando: Evento na Biblioteca Belmonte, Sto Amaro. SP

No dia 27 de Novembro:

A Feira de Caruaru em Santo Amaro


Representação da Feira de Caruaru no estacionamento da Biblioteca. Em uma área de 150 metros, os três segmentos que tornaram a feira famosa estarão representados: A feira de Artesanato, da Sulanca e a feira Livre. Assim, artes manuais com peças acabadas ou sendo produzidas pelas mãos de artesãos, raízes, ervas, troca-troca de cordéis, comidas tí­picas estarão expostas na instigante feira. Serão gente e coisas espalhadas na feira envoltas por um notável banho de sons, cores, burburinhos e entusiasmo! Tudo isto invocado e incentivado pelas apresentações tí­picas da Feira de Caruaru.

Dia 27 de novembro a partir das 10h
•10h - Abertura da Feira

•11h - Apresentação de Sabino Lopes e seu filho com música nordestina, Paula Dundee e outras atrações

•12h - Apresentação dos repentistas Adão Fernandes e João Dotô que, desafiados pelo público, defendem-se em rimas, ritmos e improvisos e de Escurinho do Acordeon e seu povo, trazendo o forró pé de serra.

•13h – Caravana do Cordel, declamação dos Cordéis pelos seus autores, contação de causos e música

•15h - Grupo Arrastão do Beco apresenta Maracatu – Coordenação Mônica Santos

•16h – Sarau Sertanejo com várias duplas, trios e solos, coordenados por Alcione Kosmos e apresentados por Guarani

Segue o link do blog da Biblioteca:
http://www.bibliotecabelmonte.blogspot.com/
 
Divirtam-se!!!
Bjs

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Etta James - At Last

Calor e chuva pra dormir

Hoje foi uma dia daqueles, quente e agitado. Cheio de compromissos pela manhã, trabalho e fim de tarde com sol brilhando. Mas engraçado...fazia tempo que não me sentia tão animada, como se do nada um peso fosse retirado das minhas mãos. Ouvi música alta, dancei até suar, lavei minhas cortinas, tapetes, roupas de cama, deixei a água me refrescar, prazer de quem gosta de cuidar do próprio lar. Tão simples, tão bom! Reencontro com meu eu verdadeiro, sem maquiagem, frescura ou receio, um amar-se em gestos que são significativos só pra mim, e talvez por isto sejam tão bons.
Ouvi Clara Nunes, Gilberto Gil, Chico Buarque, Etta James, Louis Armstrong, Ella  Fitzgerald, Cesária Évora, Zeca Baleiro e meus ouvidos ainda  vibram as doces notas que me envolvem, mas uma canção dentre tantas inacreditáveis, pode ser considerada a trilha sonora do dia...
At Last - Etta James
Dormirei ao som da chuva que cai insistente, rememorando a canção, comemorando ser minha, só minha a simples razão de continuar a existir como mulher, forte e viva. Feliz por ser quem sou, sentir como sinto, viver como vivo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Luiza Possi - Eu Espero - Programa do Jô (2010)

Inominável

Olhava para dentro e via as asas negras
ora pousadas, ora voando, multiplicavam-se.
Beleza intocada, violada agora com meu olhar de alma leve.
Tocava suas asas e voava junto, sem rumo, era só liberdade.
Nuvens densas se abriam, céu azul e vento.
E durante o voo retornei ao passado,
me vi criança tomando leite, cheirando a flor, tocando a terra.
Comi das palavras, mastiguei, misturei seus sons.
Ecoavam palavras novas, um dialéto inconsciente, gritava...
Sonora, sentia a plenitude de entregar-se ao não ser.
Nadei num céu de sangue, percorri o fluxo no corpo,
cada movimento cadenciado pelo bombear do coração.
Tão pleno, cada célula ligada a outra numa explosão de prazer.
E o vermelho que queimava tornou-se lilás, completo.
Tanta paz, que não cabia mais controlar nenhum sentir,
era hora de entregar-se, dei-me de asas abertas afagadas pelo vento.
Era dia, sim me lembro, mas as estrelas estavam lá e corriam,
saltitavam alegres deixando rastros de luzes corolridas,
ondas elétricas, ardiam, transpassavam a pele.
Percepção sensorial desconhecida, única!
Um quase perder os sentidos, descobrindo outros adormecidos.
Asas batiam ao meu lado, ouvia o ritmo dos corações.
O afago do vento, criança travessa que insiste em ficar,
cantava, melodia de assovios, sonoro carinho.
O corpo vibrava, pulsação, contração e enfim relaxamento total.
Adormeci por instantes, silêncio...paz!
Mariposas num céu de sangue violando o azul sem fim.
E vi o desconhecido para conhecer-me.
Não sabia te dar nome, devorei as palavras.
Não sabia descrever-te, bastava me entregar.
Mas íntima de teu e meu sentir, chamo-te de inominável,
aguardo o reencontro, escuto seu chamado no vento.
Inominável....